
Legenda: taça copinha-crédito da foto Alexandre Battibugli Ag. Paulistão
A Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha, chega à edição de 2026 mantendo seu papel central na formação de atletas e na vitrine do futebol brasileiro. Disputada sempre em janeiro, a competição reúne dezenas de clubes de todo o país e revela, ano após ano, jogadores que rapidamente alcançam o futebol profissional.
Apesar de sua enorme popularidade, visibilidade midiática e audiência crescente, a Copinha segue fora do mercado de apostas esportivas no Brasil, e isso não é uma escolha das casas, mas uma exigência legal.
A importância da Copinha para o futebol brasileiro
Criada em 1969, a Copinha se consolidou como o maior torneio de base do país e um dos mais relevantes do mundo. Para clubes grandes e pequenos, ela cumpre múltiplas funções:
Formação esportiva e humana de atletas entre 16 e 20 anos
Vitrine nacional e internacional, com presença constante de olheiros
Fonte de receitas indiretas, por meio de futuras negociações de jogadores
Fortalecimento de marcas, especialmente para clubes de menor expressão
Ídolos recentes do futebol brasileiro, como Neymar, Casemiro, Gabriel Jesus e Vini Jr., passaram pela competição antes de se tornarem estrelas globais.
Por que a Copinha não aparece nas apostas esportivas?
A resposta está na proteção legal a crianças e adolescentes. A Copinha é disputada majoritariamente por atletas menores de 18 anos, o que impede qualquer tipo de exploração comercial ligada a apostas.
No Brasil, a legislação é clara ao proibir apostas em eventos esportivos que envolvam menores de idade, mesmo que o público apostador seja adulto.
Qual é a base legal dessa proibição?
A restrição tem fundamento em diferentes pilares legais e regulatórios:
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/1990) O ECA estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes contra qualquer forma de exploração econômica ou exposição a riscos que possam comprometer seu desenvolvimento.
Princípio da integridade esportiva Competições com jovens são consideradas mais vulneráveis a pressões externas, manipulação de resultados e assédio de terceiros.
Marco regulatório das apostas esportivas no Brasil As normas que estruturam o mercado regulado de apostas deixam explícita a vedação a eventos com participação de menores, alinhando o país a práticas internacionais adotadas por ligas e reguladores europeus.
Essa proibição não é exclusiva do Brasil: mercados regulados como Reino Unido, Espanha e França seguem a mesma lógica.
Desde quando essa restrição existe?
A vedação à participação de menores em apostas antecede a própria regulamentação das bets no Brasil. Ela deriva de princípios já consolidados no ECA desde os anos 1990 e foi reforçada à medida que o mercado de apostas passou a ser discutido e estruturado no país, especialmente a partir de 2018.
Com o avanço da regulação, a exclusão de torneios de base se tornou um consenso jurídico e ético.
Há impactos para clubes e para o mercado esportivo?
Sim, mas de forma equilibrada. Para os clubes, a ausência de apostas na Copinha reduz riscos de aliciamento e pressão indevida sobre jovens atletas, preserva o caráter formativo da competição e mantém o foco no desenvolvimento esportivo, não no resultado financeiro imediato
Já para o mercado de apostas, a exclusão reforça a credibilidade do setor regulado, demonstra compromisso com responsabilidade social e evita riscos reputacionais e jurídicos para as operadoras.
Na prática, o mercado se concentra em competições profissionais, enquanto a base permanece protegida.
Copinha fora das bets, mas no centro do futebol
A ausência da Copinha nas plataformas de apostas não diminui sua importância, pelo contrário. Ela reafirma o torneio como um espaço seguro de formação, onde jovens atletas podem se desenvolver longe de pressões comerciais e financeiras externas.
Em um cenário de crescimento acelerado das apostas esportivas no Brasil, a Copinha segue como um exemplo claro de que nem todo produto esportivo deve ser monetizado, especialmente quando envolve o futuro de atletas ainda em formação.




